Bateu o Martelo
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Glossário do leilão de veículos

O que cada termo da descrição de um lote quer dizer — e, onde nossa base alcança, quanto ele custa em dinheiro. Os percentuais saem de 3.726 arremates medidos em leilões reais entre Jun–Ago 2026.

O que está escrito no documento

É a informação que mais mexe no preço — mais que marca, modelo ou ano. As classificações de dano vêm da Resolução CONTRAN nº 810/2020, que define como um veículo acidentado é enquadrado depois do laudo.

Sem restrição (ou “normal”)

Nada anotado no documento além do uso comum. É o lote mais limpo do pátio — o que não quer dizer que esteja em bom estado mecânico: leilão não dá garantia e quase nunca deixa ligar o motor.

57% da FIPE é a mediana de fechamento · 2.148 arremates dos carros que medimos

Em moto: 73% da FIPE · 276 arremates

Sinistrado

Veículo que sofreu um acidente. Sozinho, o termo não diz o tamanho do estrago: só depois do laudo é que ele vira (ou não) pequena, média ou grande monta. Um lote descrito apenas como “sinistrado” é o caso em que você menos sabe o que está comprando.

49% da FIPE é a mediana de fechamento · 42 arremates dos carros que medimos

Pequena monta (DPM)

Dano que não compromete a estrutura nem os itens de segurança — lataria, vidro, farol, para-choque. O veículo continua podendo circular normalmente.

55% da FIPE é a mediana de fechamento · 207 arremates dos carros que medimos

Em moto: 63% da FIPE · 115 arremates

Média monta (DMM)

Dano que atingiu estrutura ou item de segurança, mas ainda é reparável. Para voltar a circular, o carro precisa ser consertado e passar por laudo de reclassificação — custo que não está no lance e costuma ser o que separa um bom negócio de um prejuízo.

47% da FIPE é a mediana de fechamento · 563 arremates dos carros que medimos

Em moto: 50% da FIPE · 103 arremates

Grande monta (DGM)

Dano de extensão tal que o veículo não volta a circular: vale como peça e desmonte. Aparece pouco nos leilões que acompanhamos e por isso não temos amostra própria suficiente para publicar uma mediana dele — quando aparece, costuma vir anunciado junto com sucata.

Remarcado

A numeração de chassi ou de motor foi regravada e a regravação ficou anotada no documento — em geral depois de recuperação de furto ou de reparo estrutural. O carro roda, mas a anotação nunca sai e derruba a revenda para sempre.

44% da FIPE é a mediana de fechamento · 51 arremates dos carros que medimos

Sucata

Vendido como material, sem direito a documento: não existe transferência, não volta a circular. É a categoria com o maior deságio da base inteira — e, por ser vendida por peso e peça, também a mais previsível.

17% da FIPE é a mediana de fechamento · 193 arremates dos carros que medimos

Em moto: 19% da FIPE · 27 arremates

De onde o lote veio

Duas origens dominam o pátio, e elas fecham em patamares bem diferentes.

Financeira (retomado)

Carro retomado por falta de pagamento do financiamento. Costuma estar inteiro e rodando: o problema era do contrato, não do veículo. É por isso que fecha mais caro que o lote de seguradora.

56% da FIPE é a mediana de fechamento · 2.237 arremates de carros nessa origem

Seguradora (salvado)

A seguradora indenizou o segurado e vende o que sobrou do carro. Por definição, quase todo lote aqui passou por um sinistro — daí o deságio maior.

46% da FIPE é a mediana de fechamento · 963 arremates de carros nessa origem

Comitente

Quem é o dono da carga e mandou vender: o banco, a seguradora, a locadora, a empresa. O leiloeiro só conduz o pregão. Quem define as regras do lote (se aceita condicional, quem paga o quê) é o comitente, e isso vai escrito no edital.

Gravame / alienação fiduciária

Registro de que existe um financiamento preso ao veículo. Enquanto não houver baixa de gravame, a transferência não sai. Em lote de financeira a baixa costuma ser parte do processo, mas confira no edital de quem é a obrigação.

Como funciona o pregão

O vocabulário da sala — presencial ou online, é o mesmo.

Lote

A unidade que vai a leilão. Um lote é um veículo (às vezes um conjunto), com número próprio, fotos, descrição e às vezes laudo. Tudo o que você tem para decidir está ali: leilão de veículo não costuma permitir test drive nem ligar o motor.

Lance inicial

O valor de abertura do lote. Não é o preço do carro nem a expectativa de venda — é isca. Um lance inicial muito baixo costuma indicar lote com problema, não oportunidade.

Incremento

O passo mínimo entre um lance e o próximo, definido pelo leiloeiro. É o que faz o valor subir em degraus fixos no fim do pregão.

Arremate (“bateu o martelo”)

O lance vencedor, quando o leiloeiro encerra o lote. É esse número — e não o lance inicial nem a avaliação — que este site mede e publica.

Venda condicional

O lance venceu mas ficou abaixo do que o comitente aceita: a venda fica pendente de aprovação dele, normalmente por alguns dias. Você pode arrematar e a venda não se confirmar.

Habilitação

Cadastro aprovado antes do pregão — documento, às vezes comprovante de renda ou caução. Sem habilitação você assiste, não dá lance. Costuma levar mais de um dia, então não deixa para o dia do leilão.

O que entra na conta além do lance

O preço que este site publica é o lance. Nenhum dos custos abaixo está incluído nele, e juntos costumam somar bem mais do que a maioria espera.

Comissão do leiloeiro

Percentual sobre o lance, pago por quem arremata. Cinco por cento é o valor usual no Brasil e é o que adotamos como referência, mas quem manda é o edital daquele leilão.

Taxa de pátio e despesa administrativa

Guarda do veículo e o serviço do leiloeiro. Costuma ser valor fixo por lote e corre por dia depois do prazo de retirada — arrematar e demorar para buscar sai caro.

Remoção

Boa parte dos lotes não sai do pátio rodando, seja pelo estado, seja porque a documentação ainda não está regular. Reboque é custo do arrematante.

IPVA, multas e transferência

Quem paga o quê varia por leilão e vem escrito no edital: há lote entregue com débitos quitados e há lote entregue com tudo pendente. É o item que mais destrói um cálculo feito só com o lance.

Preço e tabela

Como lemos os números — e o que eles não são.

Tabela FIPE

Preço médio de mercado de um modelo/ano, publicado mensalmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. É referência de carro em condição normal de uso, à venda entre particulares. Não é preço de leilão, e não é o que se paga num lote com restrição.

% da FIPE

Quanto o arremate representa da FIPE daquele modelo e ano. É a unidade que permite comparar um Uno com uma Hilux: o valor em reais muda tudo, a razão não. Na base inteira, carro fecha na mediana de 53% da FIPE, e moto, 66%.

Deságio

A diferença entre a FIPE e o preço de arremate, o inverso da linha acima. Deságio alto quase nunca é presente: costuma ser o preço da restrição no documento ou do reparo que o lote vai exigir.

Como estes números são medidos

Um glossário de leilão você acha em qualquer lugar. O que está acima e em nenhum outro é o preço colado em cada termo. Vale explicar de onde ele vem.

O que é medido

O lance vencedor de lotes de veículo em leilões brasileiros, registrado lote a lote no momento em que o martelo bate. Não é estimativa, não é avaliação e não é anúncio: é o valor pelo qual o lote efetivamente fechou.

Com o que é comparado

Com a tabela FIPE do mesmo mês do arremate, para o código FIPE do modelo/ano do lote. Comparar com a FIPE de hoje um arremate de dois meses atrás inventaria variação que não existiu.

O que fica de fora

Lote sem código FIPE resolvido (caminhão, implemento, veículo importado fora de tabela) não entra. Arremate com percentual absurdo — erro de digitação do leiloeiro, lote de sucata casado com carro inteiro — é marcado como fora da amostra e não conta para nenhuma mediana. Na dúvida entre duas categorias, o registro é descartado: um registro ambíguo contamina as duas médias.

Por que mediana, e não média

Porque um único lote fechado a 300% da FIPE move a média e não move a mediana. Em amostra de leilão, o valor típico é mais útil que o valor médio.

O que o número não é

Não é preço final: é só o lance, sem comissão, pátio, remoção, documentação ou reparo (veja o que entra na conta). E não é recomendação de compra — é referência de mercado para você fazer a sua própria conta.

Quem faz

O Bateu o Martelo é um projeto independente, criado e mantido por Cuerci, desenvolvedor. Os dados são coletados por software próprio — a mesma extensão de Chrome que publicamos — e conferidos à mão quando a classificação do lote fica ambígua. Nenhum texto deste site é gerado automaticamente a partir de outros sites: as frases são escritas uma vez e os números vêm da base. Não temos vínculo com a FIPE nem com nenhum leiloeiro, e não recebemos comissão por arremate.

Achou um número errado ou um termo faltando? Escreva para [email protected].

As regras de cada leilão (quem paga IPVA, multa, transferência e prazo de retirada) mudam de edital para edital. Este glossário explica o vocabulário comum do mercado; a palavra final é sempre o edital do leilão em que você vai dar lance.